Uso de Recursos Eletrónicos no Ensino de PLE Imprimir
Escrito por WeiqiZhang - Universidade de Estudos Internacionais de Shanghai   

Resumo:

Hoje em dia, mesmo que haja grandes desenvolvimentos no ensino de Língua Portuguesa, continuamos a sentir uma grande falta de recursos tanto para as aulas, como para as pesquisas. Porém, o avanço tecnológico fornece-nos possibilidades de aproveitamento de recursos eletrónicos para as aulas. Neste artigo, gostaríamos de atribuir ênfase ao desenvolvimento apropriado e ao uso destes recursos para o ensino de PLE na China, particularmente do aproveitamento de bancos de dados comerciais, de recursos multimédia, entre outros, contribuindo, desta maneira, para a sistematização de recursos eletrónicos aplicáveis ao ensino, assim como para a melhoria das condições ligadas ao ensino e aprendizagem de português.

Palavras-chave: Recursos Electrónicos; Ensino de Português; PLE; Base de Dados.

Abstract:

In the recent years, Portuguese language teaching and research have been on an upward slope in Chinese universities and colleges. However, not only from the teaching scale, but also from the teaching materials development, it is still in a disadvantage position among Chinese foreign language teaching and research. On the other hand, as the information technology is in its rapid development, we can easily find a lot of electronic resources on Internet such as Portuguese commercial database, Portuguese language multimedia resources etc., which may be serve as ideal teaching or learning materials. The present article is aimed to discuss and comment on how to obtain and make rational use of the Portuguese electronic resources, in order to enrich our teaching and research activities. 

Keywords: Electronic Resources; Portuguese Teaching; Portuguese as a Foreign Language; Database.

 

Introdução

O ensino da língua portuguesa, quando comparado com o ensino de outras línguas estrangeiras na República Popular da China, não tem sido alvo de especial destaque, apesar de o ensino da língua de Camões em território chinês ter tido início há mais de 50 anos. O ensino de português circunscreve-se, essencialmente, às universidades,ainda que estas instituições de ensino não tenham regularizado a admissão de estudantes até ao fim do século passado. Face a tais condições, é justificável a carência de diversos aspetos relacionados com o ensino e a aprendizagem de português.

Atualmente, não obstante os grandes desenvolvimentos registados no ensino da língua portuguesa, bem como os esforços no sentido da publicação de manuais de PLE destinados aos aprendentes chineses, verifica-se aindauma carência significativa de elementos destinados tanto à vertente lectiva como ao domínio da investigação. Porém, o avanço tecnológico, especialmente a Internet, fornece-nos possibilidades de aproveitamento de recursos electrónicos para as aulas, superando a barreira geográfica entre os principais países de Língua Portuguesa e a China. Simultaneamente, como docentes, para correspondermos às exigências de aprendizagem dos nossos alunos, nós devemos formular estratégias de utilização adequadaperante uma vasta quantidade de recursos electrónicos disponíveis na Internet, bem como prestar assistência ou orientação aos nossos alunos na hora de usarem tais recursos.

Neste artigo, gostaríamos de atribuir ênfase ao desenvolvimento apropriado e ao uso adequado de recursos electrónicos para o ensino de PLE na China, particularmente do aproveitamento de bases de dados comerciais, de recursos electrónicos de consulta, de recursos multimédia, entre os outros, contribuindo, desta maneira, para a sistematização de recursos electrónicos aplicáveis ao ensino, assim como para a melhoria das condições ligadas ao ensino e à aprendizagem doportuguês.

Aspectos Panorâmicos sobre o Curso de Português na SISU

Começou na década de setenta do século passado o curso de licenciatura na SISU, da área de Língua e Literatura, com a duração de quatro anos letivos. Até ao fim do século passado, a Universidade de Estudos Internacionais de Shanghai era uma das duas instituições do ensino superior chinês que admitiam alunos de português em toda a China Continental. Em 2007, a SISU tomou a iniciativa de admitiralunos de mestrado em Linguísticana China. Por enquanto, admitimos, em cada ano, cerca de 20 alunos do curso de licenciatura para formar uma turma, assim com 2 alunos do curso de mestrado, tendo assim por volta de 90 estudantes de português na nossa universidade.

Os nossos alunos do curso de licenciatura, alvo fundamental do ensino do departamento, são jovens chineses que se situam na faixa etária dos 17-18 anos de idade, que precisam de ter passado por um exame nacional seletivo para conseguirem ter acesso ao curso. Além do Chinês como Língua Materna, todos possuem um bom domínio de Língua Inglesa, resultado do sistema educativo chinês. Como a SISU dispõe de acordos de cooperação com instituições educativas de países ou regiões da Língua Portuguesa, os alunos podem fazer intercâmbio em diversas universidades e institutos, que se localizam em Portugal, no Brasil ou em Macau.

Hoje em dia, o Departamento de Português da SISU conta com 5 docentes chineses e uma leitora portuguesa enviada pelo Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. (CICL). Para além de se dedicarem à elaboração de materiais didáticos, às pesquisas relacionadas com o ensino, todos os docentes do departamento têm ainda de lecionar 4 ou 5 disciplinas diferentes cada semestre letivo, entre as quais se destacam unidades curriculares de Língua Portuguesa, o Audio-visual, Gramática, Tradução, Redação e Correspondência, entre outras disciplinas sobre os aspectos gerais dos países lusófonos. Além da carga letiva, a leitora presta assistência aos colegas chineses, bem como organiza atividades culturais, com o objectivo de divulgar a cultura portuguesa em Shanghai.

Os alunos têm acesso aos livros e a outros materiais físicos de língua portuguesa na biblioteca central da Universidade, que contém mais de dois mil livros em português. Embora seja um número considerável através dos esforços da parte da biblioteca universitária, na realidade, os recursos disponíveis são ainda diminutos quando comparados com os recursos relativos ao Inglês ou aoutras línguas de mais importância na China.

Para os docentes, por um lado, um dos maiores desafios do ensino de português reside em criar um ambiente linguístico favorável aos alunos, para que estes possam aprender o português por exposição direta ao uso autêntico, pois, perante um horário limitado, os professores precisam de treinar os alunospara que estes possam ultrapassar as variadas dissemelhanças entre estas duas línguas tão distantes. Por outro lado, seria uma tarefa de igual relevância ajudar os alunos a adquirir as capacidades para aprender uma língua, as quais “permitem ao aprendente lidar de forma mais eficaz e independente com os desafios da aprendizagem de uma língua, observar as opções existentes e fazer melhor uso das oportunidades”(QECR, 2002, 154).

Importância de Conhecimentos Relativos à Informação para o Ensino e a Aprendizagem

Com a escassez de materiais impressos, os recursos electrónicos de português, tanto os recursos abertos na Internet, como os comerciais são cada vez mais aplicados no ensino de PLE e nas pesquisas, devido à “frescura” do seu conteúdo e à sua agilidade e facilidade de uso, tornando-se uma fonte indispensável para os professores e os aprendentes.

Papel de recursos electrónicos no ensino de PLE

No ensino, os professores podem recolher da Internet artigos digitais convenientes, tais como, por exemplo, reportagens, comentários, e fazer as adaptações, para que possam ser aproveitados nas aulas de Língua, Leitura ou até servir como textos suplementares a serem lidos fora das aulas. Por outro lado, os documentos audiovisuais na Internet, tais como notícias, entrevistas, palestras, podem ser aproveitados para as aulas de Laboratório e Interpretação. Mais do que isso, ao contrário das publicações tradicionais, morosas não apenas na fase de edição, mas também na fase de circulação, os recursos electrónicos são quase espontâneos e de fácil acesso, podendo, por isso, servir como materiais de pesquisas científicas, os dados registados nas fontes de credibilidade, fornecendo, deste modo, importantes recursos para estudos ligados à atualidade dos países lusófonos, nos seus aspectos sociais e culturais.

Desenvolver a capacidade de aprendizagem dos alunos

Embora os nossos alunos sejam de faixa etária quase igual e tenham um percurso educacional semelhante, são indivíduos com características particulares, cujas competências variam de um para o outro. Conforme a tradição do ensino da língua estrangeira na China, é preciso desenvolver os cinco tipos de competências dos aprendentes, sendo a de ouvir, a de falar, a de ler, a de escrever e a de traduzir. Na realidade, entre os alunos chineses, por exemplo, há quem aprecie mais a gramática ou a análise sintática, porque possui uma forte habilidade de pensamento lógico, há quem prefira a leitura, visto dispor de uma boa compreensão, etc. No entanto, para os professores, é difícil realizar um ensino diferenciado, pois estão a lecionar, ao mesmo tempo, todos os alunos da turma. Então, como é que esta dificuldade pode ser ultrapassada?

Seria uma boa opção orientar os nossos alunos a fazer uso eficaz dos materiais disponíveis para uma aprendizagem autónoma. Neste caso, com a facilidade de aquisição de novos conhecimentos,podemos afirmar que a Internetconstitui um veículo ideal para satisfazer tal aprendizagem, porque nela há uma abundância de recursos eletrónicos que fornecem um bom ambiente linguístico implícito aos aprendentes, aumentando o seu interesse em relação à aprendizagem da língua estrangeira, de forma a realizar a aprendizagem autónoma.

Há mais de trinta anos, Denis Girard afirmou: “o aparecimento e o progresso da electrónica permitiram a criação de aparelhos cada vez mais aperfeiçoados para a gravação, a conservação e a repetição fiel da palavra” (GIRARD, 1975: 22). Hoje em dia, a Internet e a tecnologia digital inovaram a armazenagem de informações, bem como a sua divulgação. Porém, para os recursos electrónicos disponíveis na Internet serem usados no ensino e aprendizagem ou nas pesquisas, considera-se ser necessária cautela, uma vez que a Internet é tão aberta que contém informações não necessariamente úteis para satisfazerem as exigências. Assim, é crucial saber como adquirir os recursos autênticos das fontes mais confiáveis, no contexto de uma imensidão de informações disponíveis na Internet.Exactamente como foi dito pelo Conselho da Europa, a capacidade de aprendizagem deve incluir a capacidade para “utilizar as novas tecnologias, por exemplo, procurando informação nas bases de dados, nos hipertextos, etc.” (QECR, 2002, 156).  

Recurso Electrónicos para o Ensino de PLE

Foi no decurso da década noventa do século passado que se vulgarizou o recurso a serviços de Internet nos países lusófonos, principalmente em Portugal e no Brasil. Com a generalização gradual da banda larga, por enquanto, cerca de metade da população de ambos os países são internautas. O amplo uso da Internet está a mudar a forma tradicional de publicações nestes países, demonstrando a tendência para a digitalização. Nos últimos dez anos, têm crescido diversos tipos de recursos eletrónicos, entre os quais há bastantes recursos abertos, tais como, por exemplo, notícias e comentários dos meios de comunicação oferecidos pelos respetivos sítios. Além disso, existem instituições académicas ou comerciais que digitalizam comunicações ou dissertações para que sejam colocadas, em formato de texto completo ou de resumo, nas bases de dados, facilitando, desta maneira, a pesquisa, a consulta e a leitura destes artigos.

Face a estes dados, serão destacados alguns sítios e portais acessíveis no interior da China, os quais fornecem recursos eletrónicos de credibilidade e passíveis de serem consultados com frequência no contexto do ensino e da investigação científica.

Ferramentas online

O Google é o motor de busca mais usado para encontrar recursos electrónicos e para termos resultados mais precisos, é aconselhável usar o Google Portugal (http://www.google.pt) e o Google Brasil (http://www.google.com.br).

As palavras novas em português são verdadeiros quebra-cabeças, pois é preciso consultar vários dicionários físicos para especificar os seus sentidos e, muitas vezes, estes não se encontram em nenhum deles, o que nos faz lembrar uma máxima famosa de Samuel Johnson: Os dicionários são como relógios: o pior é melhor do que aquele que não existe; do melhor não se pode esperar uma precisão perfeita (WANG, 1997: Prefácio). Perante tal situação, seria uma boa opção fazer uma tentativa de consultar os novos vocábulos nos dicionários online, que, em muitos casos, podem fornecer um resultado satisfatório aos consultantes, visto que, teoricamente, as atualizações dos dicionários online podem ser feitas em tempo real, ao contrário do que sucede com os dicionários tradicionais, isto é, impressos, cuja atualização é um processo moroso, desde a fase de impressão até se encontrar nas mãos do consultante.

Para quem estude o português europeu, o Dicionário Priberam (http://www.priberam.pt/dlpo/) seria uma ferramenta útil, porque, além da explicação semântica, cada verbete conta com a sua pronúncia e, quando necessário, fornecem exemplos para concretizar o seu emprego. Quanto ao português do Brasil, é aconselhável o Dicionário Michaelis (http://michaelis.uol.com.br), visto que oferece ao público uma plataforma de consulta multilingue, incluindo os pares linguísticos Português-Inglês, Português-Francês, entre os outros.

Para além dos dicionários acima referidos, também é disponível um sítio denominado “Infopédia” (http://www.infopedia.pt), que combinou os 21 dicionários e a enciclopédia da Porto Editora para os visitantes consultarem via a Internet.

Bases de dados académicas

Nos últimos anos, têm-se utilizado os recursos eletrónicos das bases de dados académicas no ensino e nas pesquisas. Artigos publicados nas revistas académicas, dissertações, comunicações são organizados, armazenados e geridos de forma digital nas bases de dados. Os recursos electrónicos da língua portuguesa são normalmente depositados nas bases de dados multilingues e o seu modelo de operação comercial garante a autenticidade e a credibilidade dos recursos armazenados. Na China, são as bibliotecas públicas ou universitárias que contratam os serviços de tais bases de dados para fornecer aos seus utilizadores internos. A seguir, citaremos duas bases de dados disponíveis na biblioteca da SISU,que contêm recursos em português.

A base de dados EBSCO (http://search.ebscohost.com/)pertence a uma empresa dos EUA, dentro da qual há uma base de dados filial denominada de “Fonte Acadêmica”, que reúne artigos científicos de mais de cem revistas académicas tanto de Portugal como do Brasil. Trata-se de artigos das áreas de Linguística, História, Literatura, Sociologia, entre outras. Cada artigo dispõe das respectivas informações de publicação referidas em detalhe, por exemplo, o autor, o resumo, a data de publicação, a paginação. Os utilizadores podem usar o motor de busca fornecido para encontrarem artigos a partir da mesma palavra-chave e descarregar posteriormente o texto completo, para procederem à leitura.

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Figura 1– Base de dados: Fonte Acadêmica da EBSCO

Outra base de dados chama-se LexisNexis Academic, que se destina sobretudo aos utilizadores de Inglês de diversas áreas académicas, contando, porém, com alguns jornais de importância do Brasil, por exemplo, a Folha de São Paulo, o Globo, o que permite fazer uma pesquisa de notícias sobre qualquer tema de interesse em português. Os resultados da pesquisa ficam listados, fornecendo diversas informações tais como o título do artigo, a data de publicação, o nome do jornal. O utilizador consegue prosseguir a leitura do artigo completo com um clique em qualquer título da página.

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Figura 2– Base de dados: LexisNexis Academic

Recursos comerciais e abertos dos meios de comunicação

Recursos comerciais

Além de bases de dados académicas, verifica-se igualmente a existência de um tipo de base de dados dedicado particularmente à recolha de artigos publicados nos meios de comunicação. Este tipo de base de dados permite-nos obter materiais mais “frescos” para as aulas, bem como fazer uma comparação de diferentes comentários sobre o mesmo assunto entre diversos meios de comunicação. A biblioteca central da SISU contratou os serviços da Factiva (http://www.dowjones.com/factiva/), base de dados de notícias globais que abrange 35.000 jornais e revistas do mundo inteiro, envolvendo 26 línguas. Muitas publicações famosas de Portugal e do Brasil fazem parte desta gigantesca base de dados, incluindo o Público, o Diário de Notícias, o Globo, a Folha de São Paulo, a Veja, etc.

Recursos abertos

Claro que podemos visitar os sítios destes meios de comunicação ou os portais para recolher materiais úteis, uma vez que fiquem indisponíveis os serviços da base de dados. São fontes abertas e, por conseguinte, qualquer um pode ter acesso. Abaixo, fornecemos uma lista dos principais meios de comunicação e os seus respectivos sítios do mundo lusófono, que são os seguintes:

Nome

País / Região

Sítio

Diário de Notícias

Portugal

http://www.dn.pt/inicio/default.aspx

Público

Portugal

http://www.publico.pt/

Visão

Portugal

http://visao.sapo.pt/

Globo

Brasil

http://oglobo.globo.com/

Folha de São Paulo

Brasil

http://www.folha.uol.com.br/

Veja

Brasil

http://veja.abril.com.br/

Época

Brasil

http://revistaepoca.globo.com/

Isto é

Brasil

http://www.istoe.com.br/capa

Sapo Cabo Verde

Cabo Verde

http://www.sapo.cv/

Sapo Moçambique

Moçambique

http://www.sapo.mz/

Sapo Angola

Angola

http://www.sapo.ao/

Sapo Timor-leste

Timor-leste

http://www.sapo.tl/

Jornal Tribuna de Macau

Macau

http://www.jtm.com.mo/

Quadro 1–Principais Meios de Comunicação Lusófonos e Respectivos Sítios

Recursos de multimédia

Além dos recursos textuais, os recursos de multimédia são um recurso igualmente importante no ensino, ou melhor, os recursos electrónicos de áudio ou de vídeo. São materiais indispensáveis para as aulas de laboratório (isto é, o Audio-visual), interpretação. Neste caso, podemos utilizar directamente nas aulas os recursos digitalizados fornecidos pelos meios de comunicação dos países e regiões da língua portuguesa. Por outro lado, os alunos também podem aproveitar os recursos electrónicos destas fontes para realizar uma aprendizagem autónoma.

Nome

País / Região

Sítio

RTP

Portugal

http://www.rtp.pt/

TSF

Portugal

http://www.tsf.pt/

GLOBO

Brasil

http://www.globo.com/

CBN

Brasil

http://cbn.globoradio.globo.com/

TDM

Macau

http://portugues.tdm.com.mo/

Quadro 2 – Sítios com Recursos de Áudio e/ou Vídeo em Português

Considerações sobre a Utilização Apropriada de Dicionários Electrónicos

A tecnologia está a mudar radicalmente a nossa vida, inclusivea aprendizagem de PLE. Os dicionários da Língua Portuguesa ou Português-Chinês servem como ferramentas fundamentais no dia-a-dia tanto para os professores como para os alunos. Na China, o primeiro dicionário Português-Chinês foi publicado em 1994 e, sete anos mais tarde, publicou-se o segundo, Dicionário Português-Chinês, de capa vermelha e com mais palavras incluídas. Os alunos costumavam designá-lo de “grande tijolo vermelho”, porque, embora pesasse muito, era indispensável na aprendizagem e tinham de carregá-lo para todos os lugares. Era verdadeiramente um grande exercício físico. Porém, nestes anos, tem-se diminuído tal tipo de exercícios, visto que apareceu a sua versão electrónica que pode ser instalada nos smartphones (telemóveis inteligentes como Iphone, Samsung, HTC, etc.), dando menos trabalho físico aos alunos e, ao mesmo tempo, facilitando bastante a consulta. Além deste dicionário Português-Chinês, encontramos na Internet vários dicionários de Língua Portuguesa e dicionários multilingue, todos eles instaláveis nos smartphones.

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Figura 3– Dicionário Português-Chinês e a sua Versão Electrónica para Smartphones

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Figura4– Dicionário Priberam para Smartphones

Quanto ao uso do dicionário Priberam para Smartphones, numa perspectiva de docente, manifesto apreensão face à utilização completa desta ferramenta electrónica na aprendizagem, especialmente na fase inicial. É verdade que a digitalização dos dicionários se tem revelado muito útil, por exemplo no que se prende com a mobilidade, a facilidade da consulta, entre diversos outros fatores. Mas, dados da minha observação pessoal, permitem-me afirmar que a excessiva facilidade de consulta poderá ser perniciosa, uma vez que os aprendentes perdem a independência. Pouco a pouco, ficam dependentes dos dicionários electrónicos e não se esforçam para memorizar as palavras novas, um trabalho essencial para um aprendente de um outro sistema linguístico completamente diferente, especialmente no período inicial de aprendizagem. Por outro lado, para mim, toda a inconveniência de usar um dicionário físico, em certo sentido, obriga os nossos aprendentes chineses a recitar de cor a escrita da palavra, o seu sentido e o seu emprego. Em face destes aspetos, defendo uma utilização apropriada desta ferramenta electrónica na aprendizagem, ou seja, de acordo com diferentes objetivos de aprendizagem. Neste contexto, considero que o uso de dicionários eletrónicos se presta preferencialmente a uma leitura rápida ou para as práticas de audição, ao passo que o uso dos tradicionais dicionários impressos em papel será mais adequado a outros casos, por exemplo, a práticas de redação, de leitura intensiva,  ou de tradução de textos.

Conclusão

O desenvolvimento constante das tecnologias de comunicação e de informação e a generalização da Internet, superando as barreiras geográficas, possibilitam-nos o acesso à informação sobre os acontecimentos a decorrer nos países da Língua Portuguesa. É um avanço tecnológico difícil de imaginar anteriormente. Por um lado, a utilização de recursos electrónicos no ensino e aprendizagem, nas pesquisas fornece-nos mais uma opção prática, além de depender puramente dos materiais físicos que são, em grande medida, proporcionados pela biblioteca. Por outro lado, é preciso estabelecer estratégias e critérios na utilização apropriada destes recursos, para que, na prática, os recursos possam produzir um bom efeito.

Esperamos sinceramente que os recursos electrónicos de português em análise neste artigo possam revelar-se úteis para os docentes, os aprendentes e os pesquisadores. Fazemos votos ainda que mais recursos electrónicos de credibilidade possam ser explorados ou descobertos, com vista a uma melhoria do ensino e da pesquisa científica. 

Bibliografia

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  • GIRARD, Denis, Linguística Aplicada e Didáctica das Línguas, 3ª ed., Lisboa: Editorial Estampa, 1975.
  • IPM, I Encontro Académico de Ensino Curricular de Português e de Tradução Chinês/Português – Actas, Macau: Instituto Politécnico de Macau, 2006.
  • VILELA, Mário, Ensino da Língua Português: Léxico, Dicionário, Gramática, Coimbra: Livraria Almedina, 1995.
  • WANG, Suoying; LU, Yanbin, Dicionário Conciso Chinês-Português, Shanghai: Editora Pedagógica de Línguas Estrangeiras de Shanghai, 1997.